Eco Diagonistica

Pico de casos no Brasil será somente em agosto, avalia OMS

País deve enfrentar ápice da pandemia no próximo mês, junto com Argentina, Bolívia e Peru, segundo previsão da Opas

O Brasil inicia julho como o principal influenciador do crescimento da Covid-19 na América Latina. Apesar do acúmulo de 1.402.041 casos confirmados e de 59.594 óbitos (dados do dia 01-07), especialistas afirmam que o país ainda não passou pelo pico da doença, previsto para agosto pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS). Integrantes da instituição reforçam a necessidade das medidas de isolamento que salvam vidas e de uma mensagem mais consistente à população. Do total de infectados no país, segundo o Ministério da Saúde, 790.040 (56,3%) correspondem a pessoas que se recuperaram da infecção.

Paciente com covid-19 é tratado na Santa Casa de Belo Horizonte. Com 45 mil casos da doença, Minas Gerais registra 965 mortes (foto: AFP / Douglas Magno)

Há quatro semanas, em 2 de junho, foram registrados 28.936 novos casos e 12.558 curados. Isso significa que a cada 100 recuperados, outros 230 se infectavam. Ontem, essa variação já estava em 100 para 110, uma diminuição de 52%. Apesar da queda, os números absolutos ainda estão altos. Pelas novas análises do Imperial College de Londres, após três semanas registrando quedas nas taxas de contágio (Rt) do coronavírus, o Brasil apresenta o menor número em 10 semanas, com 100 pessoas transmitindo para outras 103; ou seja, a taxa de contágio brasileira está em 1,03. Na semana anterior, a Rt era de 1,06.

Segundo a diretora da Opas, Carissa Etienne, nas condições atuais, o Brasil deve enfrentar o pico de casos do vírus em agosto, junto com Argentina, Bolívia e Peru. Com as previsões, as mortes por covid em todo continente americano serão quase triplicadas até três meses. “A região das Américas é o epicentro atual dessa epidemia. As projeções calculadas pelo Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde da Universidade de Washington (IHME) para a região estimam que, em outubro, haverá mais de 627 mil mortes, quase três vezes o que estamos vendo atualmente”, disse Etienne, em coletiva de imprensa.

Contudo, ela destacou que esses países podem modificar as previsões ao tomarem as decisões corretas. Diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da Opas, Marcos Espinal reforçou que é preciso passar uma mensagem clara para a população. “A OMS constantemente pediu para que o Brasil aumentasse a quantidade de teste de coronavírus e também pediu para que a mensagem (à população) seja consistente. […] No Brasil, os governadores têm a possibilidade de implementar medidas, e estão fazendo isso, mas falta uma mensagem. Sem isso, a população se confunde”, afirmou.

Flexibilização
A diminuição de contágio, no entanto, pode cair por terra com a retomada das atividades. Segundo Etienne, sem controle do vírus, países que tornaram mais flexíveis as restrições de maneira prematura podem ser “inundados com novos casos”. “Os governos nacionais devem deixar que a dinâmica do contágio dite o ritmo da reabertura. O objetivo é achatar a curva e fazer ela baixar consideravelmente antes de flexibilizar as restrições”, alertou.

A diretora da Opas ressaltou também que, para controlar a pandemia, as autoridades responsáveis não devem deixar de lado “o que dá resultado, seja por cansaço ou pressão política”. “Devemos reforçar as medidas que salvaram vidas no início [da pandemia] e aplicá-las com mais precisão do que nunca”, declarou.

Estados
Em um panorama mundial, o Brasil só fica atrás dos Estados Unidos no ranking de países com mais casos e mortes pela covid-19. De acordo com a Universidade Johns Hopkins, os EUA têm 2.618.480 infectados e 126.628 óbitos. Ao comparar os estados brasileiros com outras nações, São Paulo, que soma 281.380 infecções e 14.763 vidas perdidas, ultrapassou, sozinho, o acumulado de casos do Chile (279.393) e, desde a semana passada, soma mais confirmações que a Espanha (249.271) e Itália (240.578).
Segunda unidade federativa mais afetada pela covid, o Rio de Janeiro bateu, ontem, a marca dos 10 mil mortos e acumula mais fatalidades que a Bélgica (9.747), Peru (9.504) e Rússia (9.306). No estado fluminense são 10.080 perdas e 112.611 infectados, número superior aos registros em todo o Canadá (105.984). Ceará (108.699) e Pará (103.206) já acumulam mais casos que a China, que contabiliza 84.782 infecções.

Além de São Paulo e Rio, compõem o grupo com mais de mil mortes cada: Ceará (6.146), Pará (4.920), Pernambuco (4.829), Amazonas (2.823), Maranhão (2.048), Bahia (1.853), Espírito Santo (1.648) e Alagoas (1.052). O Rio Grande do Norte acaba de bater a marca, somando 1.034 perdas. Vale destacar que todos os estados do Nordeste ultrapassaram as 500 mortes cada. No Brasil, apenas Mato Grosso do Sul tem menos de 200 perdas, com 76 registros.

Fonte: Correio Brasiliense

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