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Há riscos da rubéola voltar a circular no país?

rubéola é uma grave doença transmissível com consequências sérias para qualquer infectado, mas especialmente para as gestantes. A chamada Síndrome da Rubéola Congênita provoca inúmeras complicações para o feto, como surdez, problemas de visão e até aborto.

A rubéola e a síndrome da rubéola congênita estão oficialmente eliminadas no Brasil e nos demais países das Américas desde 2015. Mas, a notícia anunciada recentemente de que o Brasil vai perder o seu certificado de erradicação do sarampo, voltou a assustar e a trazer dúvidas para a população em relação a possíveis casos de outras doenças que já estão erradicadas no país, como a rubéola.

Entre as causas deste retrocesso na saúde está o movimento conhecido como antivacinas, que as apontam como causadoras de doenças e transtornos, tais como o autismo (TEA).

Mas, será que há um risco eminente da rubéola voltar a circular no país, assim como o sarampo? Segundo Marilda Siqueira, virologista e chefe do Laboratório de Vírus Respiratório e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a eliminação da rubéola não significa o fim dos esforços contra a doença. Uma vez que a moléstia ainda ocorre em muitas partes do mundo é preciso manter as ações para que o agravo não volte às Américas. “O vírus da rubéola tem transmissão respiratória e rápida. Turistas e brasileiros não vacinados que viajam para o exterior podem trazer a doença de volta para o país. Para garantir que essa infecção não volte a se propagar no Brasil, é fundamental manter a cobertura de vacinação e as ações de vigilância”.

Portanto, somente a vacinação pode nos proteger contra o retorno de doenças já erradicadas no país, assim como a rubéola. O papel dos profissionais de saúde continua sendo orientar a população para a importância da vacinação, principalmente em relação a crianças e gestantes.

Eliminação da rubéola

A tríplice viral (que protege contra a caxumba, o sarampo e a rubéola) faz parte do Calendário Nacional de Vacinação desde 1992, e a cada ano o Ministério da Saúde avança com a cobertura vacinal.

Além da tríplice viral, outra vacina presente no Calendário Nacional de Vacinação, a tetraviral, pode ser aplicada para imunização contra a rubéola. Crianças de 12 meses até 4 anos recebem uma dose da tríplice viral aos 12 meses e depois uma de tetraviral aos 15 meses. Pessoas de 5 a 29 anos recebem duas doses de tríplice viral. E pessoas de 30 a 49 anos recebem apenas uma dose, também da tríplice.

De acordo com a pesquisadora do IOC/Fiocruz, Marilda Siqueira, a eliminação da rubéola é o resultado de um esforço iniciado há 20 anos, conquistado a partir de três ações estratégicas: a vacinação, a vigilância epidemiológica e a vigilância laboratorial.

Principal arma para impedir a disseminação da doença, a vacina contra a rubéola foi progressivamente ampliada no Brasil, alcançando, por exemplo, 98% das mulheres e homens adultos jovens na campanha de imunização de 2008. Ao mesmo tempo, as ações de vigilância foram intensificadas, permitindo o diagnóstico precoce dos casos com confirmação laboratorial e ações rápidas para conter o espalhamento do vírus.

Mais informações sobre a rubéola

A rubéola é difundida pelo vírus do gênero Rubivirus, sendo altamente contagiosa. A transmissão ocorre por meio das secreções do nariz expelida pelo doente ao tossir, respirar, falar ou respirar. O diagnóstico é realizado através de exames laboratoriais, disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

Os profissionais de saúde precisam estar em alerta para os sintomas da doença, que podem ser desde febre baixa e dor de cabeça até o aumento dos gânglios, especialmente próximos ao pescoço, conjuntivite e as tradicionais manchas vermelhas na pele que causam coceira. Ao primeiro sinal dessas manifestações é necessário solicitar de imediato os testes para comprovação ou descarte da suspeita, uma vez que o vírus é de fácil propagação.

A rubéola costuma ser uma infecção branda, mas, quando acomete as grávidas, os bebês podem desenvolver a síndrome da rubéola congênita, que pode causar malformações cardíacas e catarata. Não há tratamento específico contra a rubéola. Mas, o paciente precisa ser acompanhado por profissionais de saúde.

O último caso confirmado de rubéola em um brasileiro foi registrado em 2008 e de Síndrome da Rubéola Congênita, em 2009. Desde então, o país registrou apenas um caso de rubéola importado, que é quando o doente é um viajante, e foi identificado no Brasil, em 2014.

Fonte: PEBMED

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